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Pará é destaque no mercado de pesca e aquicultura

Pará é destaque no mercado de pesca e aquicultura

Pará é destaque no mercado de pesca e aquicultura

 

Um complexo estudo sobre o mercado paraense do pescado foi realizado pela REDES, iniciativa da Federação das Indústrias do Pará (Fiepa), em parceria com a Norte Energia S.A., empresa que construiu e opera a Usina Hidrelétrica Belo Monte. O foco do diagnóstico foi a região do Xingu, compreendendo os municípios de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz e Uruará, além de Gurupá, na região do Marajó, e São Félix do Xingu, na Região do Araguaia.

 

Por ser a proteína animal mais consumida do planeta, superando as carnes suína, de aves e bovina, totalizando uma produção de 170,9 milhões de toneladas em 2016, o pescado tem um mercado em ascensão, segundo o diagnóstico da REDES. No mesmo ano, 90,9 milhões de toneladas foram oriundas da pesca e 80 milhões de toneladas advindas da aquicultura. Deste número, 151,2 milhões de toneladas foram usadas na alimentação humana. A tendência, segundo a pesquisa, é de que esse consumo continue a crescer, estimulado principalmente pela busca das pessoas por alimentos mais saudáveis e pela contínua melhoria dos canais de distribuição dos produtos.

 

O pescado também é umas das principais fontes de proteína animal para a população paraense, o que confere ao Estado um dos consumos mais elevados do país, como mostra o relatório. Considerando o histórico recente, a produção do Pará é projetada em cerca de 150 mil toneladas, com 140 mil toneladas oriundas da pesca e 10 mil toneladas advindas da aquicultura. Pesca marinha, pesca continental, aquicultura continental e maricultura são as principais responsáveis pela produção paraense.

 

O grande volume de desembarque rendeu ao Estado a primeira posição no ranking nacional de pescado oriundo do extrativismo, condição mantida há um longo período, de acordo com as estatísticas oficiais. Em termos de desembarque pesqueiro, alguns dos principais municípios paraenses são Belém, Vigia de Nazaré, Bragança, Curuçá, Abaetetuba, Santarém e Tucuruí. No ano de 2011, o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) apresentava um total de 223.501 pescadores profissionais inscritos – maior número do Brasil - o que correspondeu a 26,1% do total nacional.

 

Como explica o doutor em ciência animal Marcos Brabo, que é docente da Universidade Federal do Pará (UFPA), a pesca é uma das atividades econômicas mais tradicionais do cenário amazônico, inclusive no Pará. “Nós temos o posto de maior produtor nacional de pescado oriundo do extrativismo, com a pesca marinha sendo responsável pela maior contribuição. Porém, não há perspectiva de incremento desta produção, visto que os principais estoques encontram-se em estado de sobre exploração. Por outro lado, o potencial do Pará no desenvolvimento da aquicultura é imenso, em especial por sua disponibilidade hídrica e condições climáticas”, destaca.

 

Um dos fatores que impedem o aproveitamento destas características em sua plenitude, segundo Marcos, é o marco regulatório da atividade. “A ascensão do Estado depende da criação de um cenário institucional que proporcione maior competitividade em relação aos vizinhos e seja mais atrativo aos investidores. Ao meu ver, os avanços recentes no mercado paraense de pescado se resumem basicamente ao maior consumo de produtos da aquicultura, como o tambaqui, a tambatinga, a pirapitinga, o pirarucu, o matrinxã, o camarão cinza e a ostra nativa, produtos encontrados em espaços públicos de comercialização, supermercados, peixarias e restaurantes”.

 

A pesca também contribui para a geração de postos de trabalho, especialmente às pessoas com baixo grau de instrução formal, disse o especialista, rendendo o maior número de pescadores profissionais do país. Além disso, a pesca é a responsável por sustentar um dos maiores consumos per capita de pescado do Brasil, o que inclui a subsistência de vários povos tradicionais. No aspecto econômico, além da geração de trabalho, emprego e renda, Marcos afirma que o Pará é o maior exportador de pescado do país, com destaque para bexigas natatórias, camarões, peixes e seus cortes nobres congelados.

 

O pesquisador afirma que, atualmente, o maior desafio do setor é compatibilizar a rentabilidade das pescarias com uma exploração sustentável dos estoques pesqueiros. Quanto à aquicultura, Marcos diz que o potencial paraense ainda precisa ser melhor explorado, sendo capaz de render o topo do ranking nacional, mas ainda é uma perspectiva distante: em 2016, o Estado do Pará estava em 12° lugar no ranking nacional de produção aquícola, com 13 mil toneladas, sendo 12,9 mil toneladas da piscicultura continental, 60 toneladas da carcinicultura marinha e 41,8 toneladas da ostreicultura.

 

Na geração de novos empregos, o especialista acredita que a aquicultura tem essa capacidade. “Esta atividade pode ser um dos principais ramos da agropecuária paraense e produzir mais do que é desembarcado de pescado atualmente, o que é uma tendência de longo prazo, mas precisa ser acelerada, visando atender não somente aos mercados local e nacional, mudar a realidade da balança comercial brasileira de pescado, que é deficitária”, reforça.

 

Conforme explica o consultor da REDES no Xingu, Wallacy Ferreira, o estudo foi lançado em 2019 e está passando por atualizações após os impactos da pandemia do novo Coronavírus. “Como o relatório envolve vários aspectos, inclusive no campo mercadológico, estamos fazendo a atualização de dados, para ter um panorama dos impactos sofridos pelo setor na região do Xingu. Nossa equipe está fazendo o mapeamento nos municípios de influência direta da UHE Belo Monte (Vitória do Xingu, Altamira, Anapu, Senador José Porfírio e Brasil Novo)”, finaliza.

 


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